| Reino: | Animalia |
| Filo: | Chordata |
| Classe: | Aves |
| Ordem: | Gruiformes |
| Família: | Rallidae |
| Rafinesque, 1815 | |
| Espécie: | A. mangle |
A saracura-do-mangue é uma ave gruiforme da família Rallidae. Também conhecida como saracura-da-praia.
Seu nome científico significa: do (grego) aramos = um tipo de garça mencionado por Hesinquio; e -öides = semelhante; e do (espanhol) mangle = mangue. ⇒ (Ave) do mangue semelhante a uma garça.
Em particular, o queixo e parte superior são cinza ou branco. O restante e o peito são vermelhos. Coroa, os lados da cabeça e pescoço são cinza. Uma característica não aparente é o impressionante coloração vermelho-alaranjada da parte proximal da maxila.
Diferencia de outras saracuras do gênero da seguinte maneira :
BICO Saracura do mangue : Bico amarelo escuro com mancha vermelha próxima aos olhos ,com ponta levemente curvada pra baixo. Outras saracuras : Bico amarelo/esverdeado com partes pálidas , às vezes branca , com ponta reta , como uma garça.
PESCOÇO Saracura-do-mangue : Garganta laranja/ferrugínea e nuca azulada . Saracura-três-potes : Garganta e nuca azuis, as vezes o azul chegando até o meio das costas ( ssp. avicenidae ). Saracura-do-mato : Garganta azul e nuca manchada de marrom castanho até as costas .
ABDÔMEN Saracura-do-mangue : Laranja-ferrugíneo até a garganta , com uma mancha próxima à axila . Saracura-Três-potes : Laranja-ferrugíneo até o peito , nunca até o pescoço . Saracura-do-mato : Azul sem traços de laranja .
Espécie monotípica (não são reconhecidas subespécies).
(Clements checklist, 2014).
Vasculha a margem do mangue buscando pequenos caranguejos, pois com seu bico alongado consegue capturá-los dentro das tocas. bastante ágil vasculha muitas tocas em pouco tempo com a cabeça baixa, permitindo uma boa aproximação para registros sem sermos notados.
Hábitos reprodutivos…
É conhecida por habitar os manguezais costeiros e as florestas da vizinhança, e um dos seus nomes brasileiros é o “saracura-da-praia”, que significa “Beach Woodrail” (Sick 1997). No entanto, a espécie também ocorre mais no interior (Meyer de Schauensee 1970). Com a redução dos manguezais em toda faixa litorânea a saracura tem resistido mesmo em faixa muito pequenas de mangue desde que encontre alimento. Já registrado em uma faixas de menos de 100 metros de extensão e pouca vegetação.
Observações pessoais por Henry Miller Alexandre
“Vive boa parte do ano no manguezal ,mas também adentra pelas matas úmidas como restinga alta , mata paludosa , beira de córregos, mata ciliar e brejos geralmente durante épocas mais frias . Um individuo começou a visitar os fundos da minha casa, em uma área de mata úmida com solo lamacento , com um pequeno córrego passando entre a borda da mata e meu quintal. Área de ocorrência tipica de outros Rallidaes como Amaurolimnas concolor e Aramides cajaneus além de espécies típicas como Mesembrinibis cayanensis , à pelo menos 2 km do manguezal mais próximo, mas que ela tem feito parte do cotidiano local , buscando se alimentar na beira do córrego, chegando à “invadir” minha varanda ciscando tudo o que vê, como faz uma galinha ,sempre durante as primeiras horas da manhã e ao final da tarde .
O indivíduo não cantou nehuma vez e mesmo com o uso de playback não houve nenhuma resposta se não discreta alteração no comportamento, onde a ave se mostrou um pouco atenta ao som da espécie, mas voltando às atividades logo em seguida . Foram notados apenas em 3 oportunidades algum tipo de vocalização , emitindo um discreto “Bip” como faz uma Jaçanã , num momento em que ela engoliu uma formiga-brava , regurgitando-a em seguida e quando sem querer a assustei saindo bruscamente da cozinha para a varanda. Em outra oportunidade apenas bufava como faz uma Saracura-três-potes enquanto caminhava entre ramaria densa à 2 metros do chão.
Ave bastante dócil , de comportamento oposto ao esperado para um Rallidae , permitiu excelente aproximação , tolerando minha presença próxima, mas nunca à menos de 3 metros . Foge caminhando lentamente em direção à mata , raramente correndo . Capturava libélulas, girinos e ovos de anfíbios fixos em hastes acima da superfície da água , além de caranguejos e moluscos no meio da lama , e também com hábitos furtivos , se aproveitando de sobras de arroz .”
Ocorre nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, São Paulo e Sergipe.
Consulta bibliográfica sobre subespécies: